Chegamos a Aix-en-Provence num belo dia de sol, com temperatura agradável e muitas expectativas. Afinal, essa charmosa cidadezinha é considerada o coração da Região de Provence; a mais típica representante da cultura dessa região rica em cultura, história e tradição. A cidade, assim como a maioria das cidades francesas, não é muito grande e, por ser muito antiga, possui muitas ruas estreitas e com algumas restrições de estacionamento e circulação, especialmente para motorhomes do tamanho do nosso. Depois de insistir sem sucesso na busca de um camping ou estacionamento apropriado para esse tipo de veículo, logo descobrimos que teríamos que improvisar. Mas isso explicarei daqui há pouco.
Quando ainda estávamos no Brasil, num jantar lá em casa com amigos, conseguimos motivar um deles a se aventurar pela Europa na mesma época da nossa viagem. O querido Velocino, então, sincronizou parte de sua viagem com o nosso roteiro. Ele faria um passeio pelo Reino Unido durante o mês de maio e, no final do mês, pegaria um avião e iria para Aix-en-Provence, onde se encontraria conosco. E dito e feito! No dia 27/05 lá estávamos nós, reunidos em Aix, para conhecer e explorar essa cidade linda e, ao mesmo tempo, celebrar nossa amizade.
Agora, retornando ao assunto do lugar para deixar o motorhome, acabamos unindo o útil ao agradável e ficamos no mesmo hotel que o amigo Velocino: o Novotel Aix-en-Provence Pont de l´Arc Fenouillères, que permitiu que deixássemos o motorhome no estacionamento do hotel durante nossa estadia, sem custo adicional, e ainda poderíamos pagar a estadia com pontos do programa Le Club Accor. Melhor impossível! Ahhh, que delícia desfrutar novamente de uma confortável cama de hotel! A mesma sensação que tivemos em Roma.
Contribuição da Giuli para o Blog: "Em um jantar no hotel o Gabi provou mostarda de Dijon, antes ele falou que era bom, só que depois ele falou que era quente demais (e olha que era normal, hein?)"
Bom, no dia seguinte, era hora de conhecer as belezas locais. Partimos em dois taxis para o centro histórico, que nos deixaram na Place Gal.De Gaulle, uma grande rótula com uma fonte enorme no centro, de onde se inicia o Cours de Mirabeau, a famosa rua dos restaurantes, bistrôs e cafés, graciosamente arborizada e com uma energia que parece purificar a alma, principalmente depois de alguns vinhos e chopps. Foi ali que almoçamos, depois de passear e fazer compras nas lojas e na feira de artesanato que ocorreu durante toda a manhã.
Aix tem um sistema interessante de transporte público, que vai desde linhas regulares de ônibus, passando por micro-ônibus, até uns pequenos carros elétricos chamados curiosamente de Diablines. Eles transportam entre 5 e 6 pessoas, tem dois trajetos únicos (linha A e B) e custas incríveis 0,60€ por pessoa. Uma boa forma de conhecer o centro histórico. Pegamos a linha A e descemos na metade do caminho, próximo à Cathédrale Saint-Sauveur d´Aix-en-Provance. Essa catedral tem uma longa história e é uma verdadeira vitrine de estilos arquitetônicos que marcaram época. Construída sobre as ruínas do antigo Forum Romano d'Aquae Sextiae, a catedral ainda conversa o antigo batistério, que data do século VI. Isso mesmo, há cerca de 1.500 anos atrás. O Brasil não era nem projeto ainda. A parte principal da catedral (nave) data do século XII e é em estilo romano, mas as ampliações feitas nos séculos seguintes refletiram também o estilo gótico e bizantino. Uma das guias da catedral se encantou com o esforço meu e do Velocino em falar francês e contou toda essa história para nós, inclusive de Saint-Mitre, um personagem histórico importante que compõe uma lenda muito intrigante (essa e outras histórias só conto para quem for lá em casa).
Bom, o banho de história e cultura não para por aí. Prosseguimos em nossa caminhada pelas ruelas e praças de Aix, provando as delícias da região e tentando trazer alguns pedaços na mala, como os famosos temperos "Herbes de Provence", os sabonetes de Marseille, os doces "Calissons" e "Macarrons" e, é claro, os sachês de lavanda, com seu perfume mágico que represente oficialmente a região de Provence. Essa caminhada cansou as mulheres e crianças, que lá pelas 19 horas embarcaram num taxi e foram para o hotel, enquanto eu e meu amigo Velocino fomos provar uns chopps num pub irlandês no Cours de Mirabeau, com direito a uma vista linda do pôr do sol provençal. À noite, no hotel, depois da janta, esticamos a conversa no lobby do hotel, com vinhos italianos e queijos francesas da nossa adega particular do motorhome.....rs....rs.... oh, vida difícil!
No dia seguinte, optamos por conhecer o ateliê de Paul Cézanne, realizando um desejo que alimentamos no Brasil vários meses antes. Acontece que Paul Cézanne é uma das figuras mais importantes do Impressionismo, um movimento artístico-cultural que dominou o século XIX na França. Ao lado de Claude Monet, cujo ateliê visitamos em Giverny, no início dessa viagem, Paul Cézanne possui as mais célebres pinturas dessa época, como o quadro "natureza morta", cujo cenário estava fielmente representado no ateliê. Daqui há poucos dias, quando visitaremos o Museu D´Orsay, em Paris, completaremos nosso circuito impressionista, conhecendo na versão original as principais obras desses célebres pintores. A graça disso tudo, além do aspecto histórico e cultura, é que há muito tempo temos o hábito de leitura com a Giuli e o Gabi, antes de dormirem, e alguns dos livros que lemos contam a história dos impressionismo de uma forma lúdica, onde a personagem entrava nos quadros e interagia com a paisagem e os personagens. Agora era como se nós tivéssemos entrado nos quadros desses pintores que tanto admiramos. Foi incrível!
Bom, para resumir em poucas palavras, Aix-en-Provence é, com certeza, a cidade que eu escolheria para viver o resto da vida. Calma e bela, com o charme da Provence, com gente bonita e elegante e, de brinde, recheada de história e de patrimônios históricos. Aix era a cereja do bolo dessa nossa viagem e superou as expectativas. Um taxista me falou (é claro que novamente bati altos papos com taxistas) que foi descoberto recentemente as ruínas de um antigo teatro romano em Aix, num sítio arqueológico que está sendo escavado, o que certamente nos levará de novo para essa verdadeira jóia no Sul da França! E assim, saciados, voltamos ao hotel, para nos preparar para o trecho final de nossa viagem, rumo à Paris. Au revoir, Aix, et à bientôt!





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